Campinas, 20 de Março de 2019
MORADOR IDEALIZA COOPERATIVA DE TRABALHO SENIOR
05/05/2018
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 CTS+50O futuro é grisalho

Se ao pensar em idoso a imagem que lhe vem à mente é a de ociosidade, do velhinho arrastando chinelos, está na hora de mudar esse conceito. Com a expectativa de vida ampliada, a turma do cabelo branco está cada vez mais saudável e produtiva, buscando oportunidades para dar aproveitamento a experiência e liderança desenvolvidos ao longo da vida. Como a recolocação no mercado de trabalho após os 50 anos se tornou difícil, está sendo criada em Campinas uma cooperativa de trabalho para os profissionais desta faixa etária, a CTS+50 (Cooperativa de Trabalhador Senior).

 

Com a perspectiva de estar estruturada e funcionando já no início de 2019, a cooperativa conta com parceiros importantes. Na Unicamp, os coordenadores do projeto foram convidados a desenvolver o empreendedorismo e a criatividade nos cursos da Inova (Agência de Inovação). O Plano de Negócios e o Estatuto Social estão sendo desenvolvidos pelos alunos de Administração e Direito da UniFAJ (Centro Universitário de Jaguariúna). Está no plano de desenvolvimento também a criação de um sistema de gestão da cooperativa.

Novos velhos

 

A CTS+50 pretende agregar profissionais com mais de 50 anos de idade, de qualquer área de atuação para oferecer a empresas o trabalho de executivos ou especialistas a um custo acessível. “Eles poderão prestar serviços, atuar como consultores ou mesmo serem contratados nas empresas por meio da cooperativa”, explica o autor da ideia, José Claudio Mendes, 74 anos.

O objetivo é possibilitar às empresas - que não conseguem manter como empregado formal e exclusivo um profissional experiente e de alto nível - contratar por meio da cooperativa para contar com esses serviços a um custo viável e com menor burocracia. Só não podem atuar por meio da cooperativa as profissões que tem Conselhos como medicina, direito, odontologia etc.

Um sonho viável

 

A ideia nasceu com o engajado José Claudio Mendes, morador do Parque São Quirino. Ele participa ativamente do Conselho Municipal do Idoso e frequenta os cursos da UniversIDADE, na Unicamp. “Ouvi, em várias rodas de conversas, profissionais experientes relatando a dificuldade de perder o emprego de executivo com pouco mais de 50 anos e a dificuldade para conseguir se recolocar no mercado. Como já passei por isso e não gosto de ficar com a cabeça parada, comecei a pensar em como poderíamos criar oportunidades para esses profissionais. Foi aí que surgiu a ideia da cooperativa”.

 

Entre a ideia e a implementação um longo caminho está sendo percorrido. Primeiro, José Cláudio colocou o tema à prova nas rodas de conversa, com professores e entidades, para ver se o sonho era viável. A aprovação veio na forma de colaboração das universidades (Unicamp e UniFAJ) que apoiam o projeto. Nasceu em 2017, toma forma em 2018 e começa a funcionar em 2019.

José Cláudio enfatiza que os novos velhos não querem mais o estigma de improdutividade. “Precisamos mudar a filosofia de que o idoso é o velhinho que tem que passar o tempo todo em joguinhos ou no tricô. Ao ter oportunidade para usar seu conhecimento, ele amplia sua qualidade de vida, diminui a depressão, aumenta a autoestima, porque se mantem ativo, é bom para todos”.

Os números

O crescimento da população idosa no Brasil tem números expressivos: a projeção oficial para 2050 -  daqui a 32 anos - é que 30% dos brasileiros, ou 65 milhões de pessoas, terão idade superior a 60 anos (em 2010 os idosos somavam 11% da população). Em 2046, para cada 100 jovens, haverá 238 idosos –hoje, são 112 idosos para cada 100 jovens. Entre 1940 e 2015, a expectativa de vida teve aumento de mais de 30 anos, passando de 40,7 para 75,5 anos. A projeção para 2050 é chegar a 80,7 anos.

 

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