Campinas, 25 de Junho de 2022
GAMER DESTAQUE
06/06/2022
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JOVEM DO TAQUARAL CURTE ‘FIFA’PARA APRIMORAR SEU FUTEBOL

E DESTAQUE NA REVISTA METRPOLE DO CORREIO POPULAR




CIBELE VEIRA

Perfil gamer est cada vez mais diverso, segundo pesquisas. recentes; campineiros provam isso com suas histrias inclusive morador do Taquaral.

Dos gramados para a tela O amor pelo futebol dentro de campo no tornou o campineiro Mauricio Paschoal Godinho, de 13 anos, morador do Taquaral, avesso s partidas de videogame. Pelo contrrio, as duas atividades se complementam. Ele explica que elabora as estratgias do time enquanto o jogo eletrnico Fifa tambm o ajuda a pensar nelas e nos treinos na vida real. Seu sonho se tornar um jogador de futebol. “Hoje eu coloco o jogo no ltimo nvel de dificuldade para ser mais divertido”, revela o jovem. “Eu nem lembro qual foi a ltima vez que eu venci meu filho no Fifa”, brinca Thiago Paschoal, educador fsico de 32 anos, gamer desde pequeno. Ele e a esposa, Marina, jogavam videogames com o menino desde que ele tinha quatro anos. “Se aprimorou muito mais do que eu”, completa o pai, que garante que ainda se diverte jogando contra o filho. Maurcio divide bem o seu tempo: estuda, tem muitos treinos presenciais de futebol e ainda brinca com os amigos. Mas as brincadeiras, revela, so tanto fsicas quanto virtuais e no se v deixando o hobby de lado. “Acho que na idade do meu pai eu ainda vou jogar”, compartilha o jovem

ORGULHO NERD COMERDO EM MAIO

Orgulho Nerd, comemorado em 25 de maio, ofereceu uma celebrao s paixes deste pblico em relao ao videogame. Mas o que significa, em 2022, ser um “gamer”? provvel que a imagem que muitos tm deste perfil seja a do garoto jovem, sedentrio e com poucos amigos. Mas esse retrato to especfico est muito longe de representar a imensa comunidade que joga. O terico norte-americano e designer de jogos Jesper Juul escreveu em seu livro “A Casual Revolution: Reinventing Video Games and Their Players” (A Revoluo Casual: Reinventando Videogames e seus Jogadores, em traduo livre) que o termo “gamer” est muito associado quele que passa mais de seis horas no dia jogando, tendo o seu console ou o seu computador montado especificamente para jogos. Para usar um termo compatvel, seria o jogador “hardcore”, aquele que faz algo de forma extrema. “Conforme amadurece e tem responsabilidades, muitos acabam tendo menos tempo para jogar e vo para jogos mais casuais. Mesmo esses ‘hardcore’, que podem ser aqueles que preferem jogos estrategicamente difceis, gostam de jogar algo casualmente na fila do banco”, explica a pesquisadora e desenvolvedora de jogos campineira Julia Stateri. Designer grfica e jogadora de games desde os seis anos - incentivada pelo pai e por jogos como Final Fantasy 7 -, ela esclarece que independente do estilo, o “gamer” essencialmente algum que joga. E este pblico cada vez maior e mais diverso. Dados do gamer brasileiro De acordo com o relatrio elaborado pela Pesquisa Game Brasil (PGB), de abril deste ano, trs em cada quatro brasileiros jogam em alguma plataforma e a mais utilizada o smartphone, com 48,3% da preferncia. O gnero do pblico prevalente pode surpreender: mulheres so 51% dos gamers. Julia comenta que existe um preconceito de gnero que justificado pela discriminao por tipo de plataforma. “As pessoas tendem a no dar crdito para os resultados da pesquisa alegando que mostram mulheres como maioria porque elas jogam pelo smartphone. Logo, elas no seriam consideradas ‘gamers’. Bobagem, pois voc pode ter perfis que so sobrepostos ou pessoas que jogam de maneiras diferentes, com tempo variado. Mas jogam”, refora. Ela comenta ainda que alguns tericos preferem utilizar o termo “pessoa que joga” para que seja mais inclusivo e menos carregado de esteretipos. Jogando para todos Julia revela que sempre gostou de games com narrativas mais elaboradas e usou a preferncia para nortear o desenvolvimento do Visual Novel (um tipo de jogo eletrnico que costuma ter bastante narrativa e possibilidade de escolhas) intitulado Pequenos Nativoz. Nele, o jogador, que assume um personagem comum, de gnero neutro, tem a oportunidade de ajudar entidades do folclore brasileiro. Com a proposta de criar um ambiente aberto e acolhedor para todos que desejam jogar, Pequenos Nativoz inclusivo desde os bastidores: na equipe de desenvolvimento h pessoas cegas, transsexuais e indgenas. O produto final oferece opes de controle para pessoas cegas, surdas, daltnicas e sensveis a luzes piscantes. “Ele faz parte de um projeto maior que oferece formao para as pessoas aprenderem a fazer jogos”, conta Julia, que convida os interessados a testarem a verso demo de Pequenos Nativoz pelo site oficinaludica.itch. io/pequenos-nativoz.

. Dividindo o controle A relao de Israel Pinho, de 36 anos, e da filha Marlia, de sete, mais colaborativa. O analista administrativo lembra que quando a menina era mais nova, ficava fascinada assistindo enquanto ele jogava. At que ela pediu para mexer no controle e o pai, orgulhoso, passou a compartilhar com ela. Literalmente, pois Marlia adora jogar ao lado do pai games em que os dois possam trabalhar juntos em prol de uma misso. “Ela no gosta muito da parte do conflito, quando tem que combater os inimigos. s vezes, pede que eu passe pela fase por ela”. F dos consoles, Israel tem como companheiro fiel seu Playstation 4, dispositivo que tem quase a idade de Marlia. Para ele, os melhores jogos so os que permitem uma experincia imersiva em muitas horas. “A gente paga caro por esses jogos. Ento, quando vou escolher, penso naqueles que vo me dar diverso por mais tempo. Se possvel, quero passar meses naquele mundo”, descreve. A filha tem a mesma preferncia. “Gosto muito de jogos de mundo aberto para desbravar o cenrio, temos misses, colecionveis para achar. Quero pensar em como escalar a montanha, explorar a caverna e descobrir que tipo de segredos esto escondidos ali. Ela gosta disso tambm”. Para incentiv-la, Israel tem buscado mais jogos alinhados com os interesses e idade da pequena. Vida de jogo A campineira Vanessa Sant’Anna Douat, de 32 anos, lembra que seus primeiros jogos de videogame vieram aos cinco anos. Ela sempre gostou de se envolver com o roteiro dos jogos. “Eu j chorei com histrias muito emocionantes, como Chrono Trigger. quase um filme”. No comeo, ela jogava com os primos, mas muitos laos se formaram atravs dos jogos. “Fiz muitos amigos por causa deles. At meu companheiro, eu conheci jogando”. Ela lembra que a histria de amor comeou com uma parceria capenga. “Ele jogou comigo, mas sofreu porque eu no sabia nada daquele jogo na poca”, brinca. Azar no jogo, sorte no amor, pelo menos naquele momento. Vanessa e Bruno j esto juntos h 10 anos e seguem jogando juntos. Hoje, ela participa de jogos NFT que, a partir de diferentes mtodos, geram lucro para os jogadores e assim une o antigo hobby com uma forma de ganhar dinheiro. Ela tem metas para cumprir e chega a ficar oito horas por dia jogando. “No fcil”, afirma. Mas ela d conta!

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