Campinas, 18 de Maio de 2022
PROGRAMA DE ÍNDIO
19/03/2022
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PROGRAMA DE ÍNDIO MESMO!

 

Os cartazes espalhados pelo saguão de uma antiga estação da Sorocabana em Campinas/SP hoje conhecida como CIS Guanabara sob a administração da Unicamp, diziam: “Somos mais de 30 povos” “Somos mais de 300 línguas”.

No chão de cimento do que já foi plataforma de embarque de muita gente eles espalharam uns panos grandes e sobre eles um mundo de quinquilharia ‘indigena’. De apitinho de sobro feito de bambu a R$ 10,00 cada passando por rapé de várias ervas e raízes a R$ 30,00 o frasquinho até chegar aos cocares, um mais lindo que o outro e também um mais caro que o outro, variando de R$ 300,00 a R$ 1.200,00. E tudo na maquininha de cartão ou no pix. Pois é, índio agora também tem pix.

E ao comentar com uma índia sobre ela estar usando maquinha de cartão recebi uma invertida como resposta: “Foram vocês homens brancos que nos forçaram a isto. Por mim etária lá no mato ainda tocando o mundo do meu jeito”. Só me restou mesmo concordar e sair de mansinho.

Eles, os índios, a maioria estudantes da Unicamp, ofereciam pinturas corporais indígenas, fungada de rapé e baforadas em cachimbos dos mais diversos. Casa coisa dessa custava R$ 30,00. E a R$ 30,00 eles ofereciam também pratos de comidas típicas em fotos, um mais lindo que o outro e aparentemente um mais saboroso que o outro, no cardápio pendurado na parede.

Chegar até um prato desses precisava passar por coisa que o índio aprendeu rápido aqui na cidade: filas. Primeiro para comprar fichas e depois outra muito mais longa e muito mais demorada para chegar à cozinha onde preparavam os pratos. Depois da longa fila de espera a frustração maior. Os belos pratos das fotos do cardápio ficavam longe, muito longe, talvez lá na selva habitadas por eles, do que era oferecido no local.

Enfiados em embalagem de isopor com talheres de plástico, os alimentos não se mostravam sequer apetitosos. O nosso escolhido foi “Pira Txuum Rewe/Txoo’o” – Peixe ou carne, com banana verde, arroz branco e vinagrete”. Da chefe de cozinha indígena Lu Ahami -  culinpária Guarani mbya. Na foto do cardápio um primor de comida indígena. Já o que foi oferecido passou longe, muito longe daquele da foto. Não tinha banana verde, nem vinagrete e o peixe, um conhecido como peixe ‘porquinho’ que antes era descartados pelos pescadores dos barcos de pesca e hoje forra as bancas das peixarias como um peixe não tão barato assim.

E assim do programa de índio, sobrou mesmo um som que não era indígena, mas salvou a manhã. Um peruano com seus estranhos instrumentos de sopro e percussão que atraiu crianças e adultos para perto da tenda onde se apresentava.

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