Campinas, 21 de Setembro de 2020
MEU ARTIGO - CARLOS DORLASS
28/05/2020
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Uma viagem ao centro de ns: a carta de um “Terranauta”

*Prof. Carlos Walter Dorlass

Em maro de 2020 nos tornamos “Terranautas” – exploradores do local no qual vivemos – e fomos convocados a ir para casa, com destino ao nosso interior e com o objetivo de reaprender a viver em comunidade.

Essa complexa misso j dura cerca de 60 dias e, desta vez, ao contrrio daqueles chamados astronautas, que j foram Lua, no nos preparamos para esse momento.

Hoje, estamos em casa, no planeta Terra, e a nossa misso lidar como afastamento social, o confinamento e as incertezas.

Alguns de ns possuem abrigo, alimentoe companheiros de jornada, mas, em geral, os “Terranautas” tambm sentem falta dos amigos, amores e de outros familiares.

Neste perodo de distanciamento, ainda que em casa, cada de um ns precisa administrar uma srie de sentimentos e situaes:

Precisamos entender as frustraes

Viver em um espao confinado com outras pessoas exige respeito e tolerncia. Como os “Terranautas” nem sempre selecionam toda a tripulao, saber cooperar uma competncia importante para um ser humano, com isso, a comunicao essencial: precisamos entender no s as frustraes do outro, mas tambm o que nos chateia e o que ajuda a nos tranquilizar.

Compartilhar pode se tornar uma experincia de aproximao

Em tempos difceis, a tarefa de ajudar os outros tripulantes. Sabemos que dependemos um do outro para nossas vidas e, neste momento mais do que nunca, o trabalho em equipe importante.

Ainda temos algum controle

Mesmo com as tarefas distribudas entre os“Terranautas”, relembro que temos controle sobre algumas coisas, como escolher o tipo de comida, o que bebemos e quando desejamos dormir, pois, mesmo ‘presos’ em casa, ningum est nos dizendo qual livro ler ou a que horas acordar. Existe um grande objetivo em nossa viagem: “aprender a ser mais humanos”. Podemos ter metas e realizar conquistas todos os dias.

Eu tinha planos

Um “Terranauta” no precisa estar alarmado ou ansioso com os riscos da “viagem ao seu eu” porque sabemos o que fazer em situaes de emergncia. Relembro que temos contatos de fcil acesso e devemos distribuir atividades, caso no consigamos realizar algo sozinhos como cozinhar ou descobrir a melhor forma de cuidar de um aqurio. A ajuda de um outro “Terranauta” pode tornar tudo mais fcil, assim como apoiar o pode ser bem prazeroso.

Planejar algo agradvel para o futuro

Com algum tempo de sobra, podemos fazer o que sempre desejamos, mas antes estvamos muito ocupados. Os “Terranautas” em misses longas, como a de agora, por exemplo, podem assistir a filmes e ler livros. O “Terranauta” pode resolver problemas complexos, ser mais criativo, aprender a conviver e o mais importante: ser mais humano.

Temos tempo para apreciar as coisas

Uma das coisas que “minha equipe” (famlia) e eu adoramos fazer no final do dia de trabalho olhar para o horizonte. Vemos as luzes da cidade surgirem e quando entramos no entardecer mgico! Ainda podemos ver o nascer do sol e as nuvens de um lugar privilegiado e, por vezes, subestimado: a janela.

Outro ponto importante ver que nossa felicidade no necessita de riquezas e objetos valiosos. De volta Terra “normal” seremos confrontados novamente pelo materialismo. Certamente rebaixaremos o valor relativo das ‘coisas’ em nossas vidas, um sinal que o impacto causado pela Covid-19 ter um efeito significativo sobre cada um.

Eu sou um “Terranauta” e acredito que quando a pandemia terminar, o mundo ser um lugar melhor para se viver; com menos consumismo e mais benfeitorias aomeio ambiente.

Tenho confiana que sentiremos a mudana na sociedade, que ser mais comunitria, mais coerente e muito mais amvel.

*Prof. Carlos Walter Dorlass Diretor Geral do Colgio Marista Arquidiocesano, localizado em So Paulo (SP).

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