Campinas, 21 de Setembro de 2020
DIGITAL OU MORTE
23/05/2020
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EMPRESAS ACELERAM PROCESSO DE TRANSFORMAO DIGITAL PARA SOBREVIVER AOS IMPACTOS DO CORONAVRUS

Mudanas nos hbitos de consumo foram entrada de empresas no comrcio eletrnico; especialistas confirmam tendncia para o futuro e do dicas s empresas

A mudana nos hbitos de consumo da populao, resultante das medidas de isolamento social para conter o avano do novo coronavrus (covid-19), forou empresas de diferentes segmentos e portes a ingressar no comrcio eletrnico, seja na criao de plataformas de comprason-line, seja na divulgao de seus produtos nas redes sociais. A transformao digital, que vinha sendo empregada gradativamente por grandes varejistas, virou questo de sobrevivncia na pandemia e deve se consolidar ao trmino da crise, avaliam especialistas.

As limitaes de acesso ao comrcio, como shoppings, restaurantes e academias, impuseram s empresas uma reestruturao de seus negcios por meio do fortalecimento de novos canais de venda, no se limitando aos espaos fsicos, que seguem sem prazo definido para retomar suas atividades. At os consumidores que resistiam s opes de compra pelaInternethoje se curvam ao modelo de comercializao, que oferece praticidade inclusive aos clientes mais exigentes.

De acordo com estudo da Associao Brasileira de Comrcio Eletrnico (ABCOMM), que analisou o comportamento de 4 mil lojas virtuais nos perodos pr e ps-pandemia, oe-commerceexibiu aumento de 40% nas compras dirias s no ms de abril. Embora os grficos apontem a reao dos segmentos de moda e calados, as altas mais importantes se referem aos produtos essenciais, como aqueles vendidos em farmcias e supermercados.

Divulgado na ltima segunda-feira, 18 de maio, um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), indica a tendncia de manuteno de tais hbitos mesmo ao final da crise provocada pelo coronavrus. Na pesquisa, 70% dos entrevistados exprimiram interesse em continuar comprandoon-linede forma mais intensa aps a quarentena.

Docente na disciplina ‘Administrao de Ambientes Virtuais’, A Profa. Dra. Celeste Ada Jannuzzi avalia que a tendncia deve mesmo se confirmar. Para ela, muitas pessoas evitavam as comprason-linepor inseguranas nas transaes financeiras no meio eletrnico, mas agora descobriram a facilidade e comodidade propiciada pelo ambiente digital, descoberta que dever prevalecer no comportamento do consumidor.

“Mas essa viso deve ser ampliada e ir alm das comprason-line. Vale observar que os servios de profissionais na rea da sade, com a telemedicina, da educao, com as aulas remotas, entre outros, tiveram alto grau de interatividade proporcionado pelaInternet, que se mostra grande aliada ao exerccio de suas profisses. A resistncia a essa forma de atuao diminuiu de forma expressiva e a percepo de facilidade toma propores significativas ao pblico em geral”, diz a professora.

Embora acredite que o mercado ainda dar espao aos ambientes fsicos, a professora enaltece os benefcios doe-business: maior controle e coordenao das operaes com o uso de sistemas de informaes computadorizados, abertura de novos canais de venda com oe-commerceetc. “Os empresrios devem olhar oe-commercecomo uma ampliao dos seus canais de venda, de comunicao com o cliente. Um atendimento personalizado de um para muitos, ocorrendo de maneira simultnea, como se fosse de um para um, o que o ambiente virtual permite que a empresa faa”, destaca.

A alternativa, contudo, no acessvel a todos. Segundo o Prof. Me. Roberto Brito, da Faculdade de Cincias Econmicas da PUC-Campinas, a insero ao meio digital cercada de barreiras aos novos entrantes. “Empresas grandes e estruturadas, que possuem plataformas mais adequadas de atendimento e oferecem maior segurana ao consumidor, especialmente do ponto de vista da logstica e da entrega, levam muita vantagem. Comrcios menores, por exemplo, tm iniciado nesse contexto de forma rudimentar, ofertando produtos em status de WhatsApp, por exemplo, sendo mais difcil atingir o pblico e se manter competitivo no mercado”, afirma.

O economista reitera, ainda, que os empresrios, principalmente de empresas de menor porte, devem ficar atentos ao comportamento de mercado antes de investir em novos canais. “Muitos equvocos so cometidos quando a migrao no bem planejada. Na devastao sempre existe oportunidade, mas nem sempre os retornos so garantidos. Neste momento, necessrio levar em considerao o contexto econmico de retrao da atividade e dos impactos da covid-19 na renda da populao, que pode passar a consumir menos”, pontua Brito.

Para minimizar os riscos do ingresso ao comrcio eletrnico, a professora Celeste apresenta trs passos fundamentais:

Pesquisa de mercado

Antes de abrir seu negcio, faa uma pesquisa minuciosa do mercado. Veja quem so seus concorrentes. Isso muito fcil de realizar pela Internet. Os sites dos concorrentes, os sites de notcias e as redes sociais so excelentes fontes de informao para se conhecer e acompanhar o mercado concorrente e, tambm, o mercado consumidor.

Planejamento

Ter claro que o negcio no se resume s vendas. mais do que necessrio pensar na logstica, ou seja, nos recursos e informaes que a empresa ir precisar para realizar bem as suas operaes. Outro ponto que deve ser considerado que o planejamento, alm da venda e entrega do produto vendido, deve tambm preocupar-se sobre como proceder com a devoluo do cliente, se houver.

Interao

O ambiente digital de negcios permite uma interao preciosa com o seu consumidor. Faa uso desse recurso, d significado para as informaes que pode coletar dessa interao. No deixe a informao passar despercebida, como acontece quando apenas o sistema computadorizado o responsvel pelas respostas. Faa uso efetivo das informaes, identifique e responda s necessidades do seu cliente. O ambiente digital de negcios lhe traz em mos um bem precioso que a informao, mas ela somente se transformar em inteligncia se for usada e interpretada em todas as situaes na sua empresa.

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