Campinas, 24 de Junho de 2018
CADERNO ESPECIAL: DIA DOS NAMORADOS
02/06/2018
Notícia publicada na edição n.121 do Jornal Alto Taquaral
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O AMOR NO ESCOLHE HORA

O nascimento de um relacionamento no segue nenhuma receita. Ele pode surgir a partir de amigos, no trabalho e at mesmo em situaes comuns do cotidiano.

POSSVEL MORRER DE AMOR?

Alegrias e tristezas amorosas afetam a sade do corao

Amar faz bem para a sade, mas tambm possvel morrer de amor. As alegrias e tristezas que envolvem os relacionamentos afetam a sade do corao, segundo o cirurgio cardiovascular Edmo Atique Gabriel. Um estudo realizado pelo Departamento de Sade da Universidade de York, no Reino Unido, mostra que pessoas solitrias tm 30% mais chances de desenvolver doenas coronrias e acidente vascular cerebral (AVC).

A solido, segundo o estudo, oferece o mesmo impacto para o corao do que o estresse e a ansiedade. Alm disso, eles notaram que as pessoas com ausncia de relaes afetivas, costumam ser mais depressivas, estressadas e possuem um estilo de vida menos saudvel. Normalmente, no cuidam da alimentao, fumam, consomem bebidas alcolicas e no praticam atividades fsicas.

“ preciso levar em considerao a situao pessoal em que o indivduo se encontra em um processo clnico. Se uma pessoa sozinha ou se tem um companheiro, se o relacionamento amoroso harmnico ou no. O estado emocional em que se vive afeta diretamente a sade”, explica Edmo.

Outro estudo, este de uma universidade dinamarquesa envolvendo quase um milho de pessoas, constatou que a morte do companheiro aumenta em 41% o risco de uma arritmia no corao. “ A relao entre as emoes e o corao tm base cientfica, pois o rgo possui um grande nmero de fibras nervosas das estruturas cerebrais, criando uma ligao estreita. Sendo assim, o corao sofre com as emoes, tanto as provenientes dos eventos positivos quanto negativos que acontecem em nossas vidas.”

A perda de um amor, seja por morte ou ruptura de um relacionamento, j reconhecida como um problema de sade. A Sndrome do Corao Partido e leva muita gente ao hospital com suspeita de infarto. Tambm chamada de cardiomiopatia de Takotsubo, ela foi relatada pela primeira vez por mdicos japoneses, no incio dos anos 1990, e recebeu esse nome graas imagem do ventrculo esquerdo na sstole que, aps o problema, se assemelhava a uma armadilha para capturar polvos (tako) em forma de pote (tsubo) muito comum no Japo. No Brasil, o primeiro registro da doena foi em 2005.

Nessa sndrome, o corao fica mais ovalado e parte do msculo para de funcionar, assim como no infarto. A principal diferena entre os dois que, no infarto, h as obstrues das artrias e o corao no volta a funcionar sozinho.

J cardiomiopatia de Takotsubo, no h qualquer tipo de obstruo, o corao para e depois volta ao normal. Segundo Edmo, os casos descritos na literatura mdica foram desencadeados por situaes de estresse e de emoo intensas, que promoveram uma secreo anormal de adrenalina e noradrenalina, com efeitos deletrios no corao.

Como a sndrome surge aps a pessoa passar por fortes emoes, no h como preveni-la. Mas o especialista alerta que convm evitar situaes extremas de brigas, separaes, estresse e angstia. “Uma pessoa angustiada, libera na corrente sangunea hormnios que prejudicam o corao. Tanto que uma das doenas cardacas, a angina, conhecida como Angor Pectoris (angstia do peito)”, comenta.

Assim como os estados emocionais negativos de solido e decepo amorosa geram doenas cardacas, o sentimento de amor, destaca o especialista, contribui para o corao bater no compasso certo, pois traz benefcios para organismo que reduzem as inflamaes e a morte celular no tecido cardaco.

O AMOR NO TEM HORA OU LUGAR

Muitos relacionamentos nascem em momentos do cotidiano das pessoas

No h como acordar cedo, se arrumar e sair de casa em busca de um namorado e chegar no final do dia com a misso cumprida. O incio de um relacionamento no tem hora ou local para iniciar e depende de uma srie de fatores. O principal deles, segundo especialistas, est na necessidade de a pessoa estar receptiva ao outro. E o ambiente cotidiano o maior responsvel pelo incio de muitas unies.

Uma pesquisa realizada no ano passado pela Atento, lder mundial em gesto de clientes e terceirizao de processos de negcios, na regio Sudeste, mostrou que 32% dos casais se conheceram por intermdio de amigos em comum, 18% no ambiente de trabalho e 17% em redes sociais. Bares, baladas, festas, escolas ou faculdades aparecem bem depois.

E ainda h os que se conhecem onde menos imaginavam que surgiria um interesse recproco. Esse foi o caso da dona de casa Altaiza Azevedo da Rosa, 50 anos, e do microempresrio Jorge da Rosa, 43 anos. Eles se conheceram na sala de espera de um consultrio psicolgico, em Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, onde ambos faziam tratamento contra a timidez.

“Na minha primeira consulta, vi o Jorge e trocamos olhares. L pela quarta consulta, continuvamos nos olhando”, lembra. A sala estava lotada e quando ficou vazia, Jorge tomou coragem e se aproximou para puxar conversa. Foram pouco minutos, mas o suficiente para ele pegar o nmero do telefone. As conversas continuaram por dias at que Jorge a convidou para comerem uma pizza em um shopping.

“Neste dia, ns dois estvamos dispostos a pedir o outro em namoro. Foi o que aconteceu. Nosso relacionamento deu to certo que seis meses depois casamos. Em setembro, vamos completar 18 anos de casamento”, comemora. J a timidez persiste, menos intensa no caso de Altaiza. Jorge pouco mudou e no gosta, por exemplo, de aparecer em fotos.

J a manicure Graziele Teixeira, 25 anos, e o operador de mquinas Fernando Saraiva Teixeira, 27, se conheceram em um posto de gasolina na entrada da mesma cidade. Graziele era frentista e comeou a perceber que Fernando passou a ser um cliente frequente e sempre escolhendo a bomba onde ela fazia os abastecimentos.

“Certo dia fiz aquelas perguntas tradicionais do nvel do leo, da gua e ele respondeu dizendo que queria o telefone da moa linda. Fiquei meio sem reao e surpresa, mas acabei dando o nmero. No dia 23 de maio de 2011 comeamos a conversar por telefone e no dia 12 de junho, dia dos namorados, ele me pediu em namoro. Aceitei. 10 meses se passaram e descobrimos que eu estava grvida. Aps o nascimento do nosso filho, veio o casamento. Vamos completar seis anos de muito amor, companheirismo, compreenso e respeito.”

LIVROS E AMOR

A histria do jornalista e escritor Auber Lopes, 50 anos, de Porto Alegre, nasceu em meio a revises de livros. Ele desempenha esta atividade para uma editora da capital gacha e recebeu um contato da produtora literria Miriam Gress, 53 anos, para revisar a obra “Costurando o Passado”, da escritora Rejane Guimares.

Na editora, Mirian recebeu da diretora um dos livros de Auber (Memrias de uma Vida Hilria). “ um livro de humor onde conto coisas escabrosas sobre minha vida. Ela leu e se interessou em me conhecer. Acabamos nos encontrando no lanamento do livro que revisei. Conversamos muito e o assunto acabou indo para o rumo do corao. Ela me disse que estava sozinha havia muitos anos.
Meus olhos brilharam, j que eu tambm estava sozinho, aps um relacionamento breve e intenso, que tinha me deixado machucados profundos. Ao final do evento, perguntei a ela se gostaria de jantar comigo outro dia. Uma semana depois aconteceu o jantar e nosso primeiro beijo. J faz cinco meses que estamos juntos.

O QUE DESGASTA RELACIONAMENTOS

Vrias situaes geram desgastes entre um casal. Especialista lista trs delas

No raro um casal estar se sentindo feliz e realizado at que, sem muitas explicaes, tudo comea a ruir. A sensao, que trazia segurana, muda completamente por algumas atitudes contrrias de um ou outro. A angstia, incerteza e sofrimento entram em campo. O escritor e psiclogo especialista em relacionamentos, ansiedade e sndrome do pnico, Alexandre Bez, argumenta que sentimentos, sensaes e paixes esto intimamente condicionadas a estrutura psquica de cada um.

“Nossa constituio mental est presa a uma srie de variveis de ordem mental diferenciadas entre si. So estas que regulam nossos comportamentos, aes e atitudes que influenciam de modo absoluto nossas reaes. Essas por sua vez, inferem diretamente nas sensaes e sentimentos dos casais, pois operam no mago de suas almas, mudando sem prvio aviso o curso relacional que antes estava to agradvel e aconchegante, para uma postura nada confortvel”, explica.

No livro “O que era doce virou amargo!!!”, lanado em 2013 depois de um longo estudo, Alexandre elencou 44 atitudes que desgastam relacionamentos. No h uma que seja mais comum ou mais importante e o impacto delas nos relacionamentos vai depender da particularidade de cada um (veja tabela).

Independente disso, o cimes figura entre os mais comentados em praticamente todos os namoros, especialmente os que esto comeando.

Para o especialista, ele um sentimento inerente ao ser humano, mas nunca deve ultrapassar o limite do permitido em uma relao. “Muitos acreditam que apesar de ser negativo, o sentimento de grande importncia. Afinal, a ausncia do cime tambm preocupante, pois pode ser um indcio de que o amor est se perdendo”

O cime, quando passa limites, passa a ser considerado uma doena mental, classificado como transtorno delirante. Alexandre explica que o desejo desenfreado de controle e dominao, especialmente de ter a posse da outra metade, pode denotar uma patologia e se identificada desde o incio, pode evitar uma srie de percalos pelo caminho. “H como os casais evitarem muitos dissabores na relao, mas para isso preciso que ambos fiquem atentos a pequenos sinais ou a sua prpria histria amorosa”, diz.

O cime anormal desencadeia desde a agressividade simples (verbal), podendo partir para a agressividade bruta ou corporal. Quem desenvolve esse tipo de cime, muitas vezes, tem desestrutura do ego, em funo de baixa autoestima e autoconfiana extremamente comprometidas.

O exagero no cime tambm pode ter origem de uma patologia psicolgica Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Gerando conflitos internos como, por exemplo, achar que est sendo trado. Mediante esse comportamento, comear a perseguir sua companheira (o) e desenvolver compulso pela averiguao da traio ou no.

As diversas situaes que geram desgastes e podem levar ao trmino de um relacionamento podem ser minimizadas ou eliminadas.

AS 3 SITUAES

Obsesso e Compulso: Obviamente que em toda relao h preocupao, o encurtamento da distncia e o contato pessoal como o virtual. Esses so ingredientes que necessitam existir, uma forma de demonstrar o sentimento. Entretanto, essa questo no pode passar do limite da normalidade que acaba justamente quando o outro invade o seu espao, tornando a sua vida um verdadeiro “inferno”.

Incongruncia Relacional: Por uma questo de cunho pessoal e psicolgico, a pessoa entende, de que o (a) companheiro (a), no comporta-se como deveria “supostamente proceder”, dentro de sua tica pessoal. Tenta sucessivamente “mudar” as particularidades de cada parceiro (a), no respeitando sua privacidade e gosto.

Cimes: Um “veneno” em qualquer relao quando sai de uma perspectiva normal e aceita numa relao. Ele precisa constar mais de um modo saudvel, equilibrado e no neurotizado “indicando uma irreal posse”.

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