Campinas, 12 de Dezembro de 2017
O RISCO CONSTANTE DAS CALÇADAS RUINS
01/12/2017
Notícia publicada na edição n.115 do Jornal Alto Taquaral
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 POR ONDE O POVO PASSA E O GOVERNANTE ACHA GRAÇA

É mais fácil caminhar pelo meio a rua

Andar pela grande maioria das calçadas de Campinas é uma tarefa quase impossível. Como não há um ordenamento sobre a construção desses epaços e por ficar a cargo do propretário do terreno a instalação e manutenção delas o que se vê são provas de puro desleixo por parte do cidadão e do poder público.

Ao andar pelas ruas é muito comum encontrala espaço destinados a calçadas cobertos por mato alto, esburacados e com piso de toda ordem desde o tradicional cimentado aos blocos intertravados, bem como uso de pedras portuguesas, paralelepipedos, grama e madeira.

Mas além do piso há ainda obstáculos de todo tipo também colocados ou deixados sobre os espaço destinado aos pedestes como floreiras, lixeiras, canteiros, placas de sinalização, telefones públicos e até mesas e cadeiras de bares e restaurante.

Assim, diante da parafernália que se encontram as calçadas não resta outra alternativa aos pedestres que não seja caminhar pelo meio da rua, próximos às guias, seja em rua de pouco ou de muito movimento de trânsito.

Esta prática comum dos pedestres em função das condições das calçadas acaba provocando um aumento significativo dos atropelamentos em Campinas.

Para o físico e professor da Unicamp, Celso Arruda, Campinas não foge à regra e o número de atropelados que utilizam a rua tem aumentado muito. “Em muitos bairros a calçada não existe e as pessoas seguem naturalmente pelo meio da rua”.

Uma pesquisa organizada pela Falconi Consultores de Resultados, encomendada pela fabricante de bebidas Ambev mostrou que as mortes de pedestres no trânsito de Campinas superam a média nacional. Enquanto os casos na cidade em 2015 representaram 37,5% do total de óbitos registrados, a porcentagem estimada foi de 23% em todo o Brasil.

As mortes de pedestres representaram a maior parte das mortes no trânsito campineiro tanto em 2014 quanto em 2015, quando foram registradas 80 e 66 ocorrências, respectivamente.

Sobre as 398 mortes no trânsito de Campinas, nos anos de 2014 e 2015, onde a maioria das vítimas estavam entre 25 a 29 anos (15,3%), e idosos com 60 anos ou mais, com 14% das ocorrências, o especialista  explica que nestes casos, os mais velhos geralmente são vitimados em atropelamentos, e os mais jovens, em acidentes com bicicletas e motocicletas.

O estudo da Falconi apontou que a maior parte das vítimas fatais no trânsito são homens, Durante os dois anos de levantamento dos dados, 342 homens  e 56 mulheres perderam a vida.

O problema está, porém, longe de ter sido resolvido. Os acidentes de trânsito representam a segunda maior causa de morte evitável no Brasil, diz a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). O avanço em uma ponta não se vê em outra: foram mais de 203 mil feridos em 2015, 29,2% maior que o registrado em 2010, ano em que o Brasil aderiu à Década de Segurança no Trânsito da Organização das Nações Unidas (ONU).

A ação em componentes e intervenções sugeridos pela OMS apresenta-se como caminho promissor para mais conquistas. Além da boa legislação relacionada aos principais fatores de risco (respeito aos limites de velocidade, não associar direção à consumo de bebida alcoólica, dstração provocada pelo celular, uso de capacete, cinto de segurança e de cadeirinha para crianças), a entidade ressalta a importância de otimizar os esforços para a aplicaçã o das leis de forma a educar a população e garantir os resultados de segurança.

Outro ponto destacado é a ampliação da atenção às necessidades dos usuários mais vulneráveis (pedestres, ciclistas e motociclistas). A violência em relação a esse grupo é maior no Brasil: superou 50% do total de óbitos em 2015, enquanto no mundo esse grupo representa 49%.

Com 42% da população, o Sudeste, registrou 13.141 óbitos em 2015, uma diminuição de 2.462 mortes (15,8%) em relação a 2014. Apesar de liderar o ranking brasileiro em números absolutos, a região obteve o menor índice (15,3) de óbitos por 100 mil habitantes do Brasil, cuja média foi de 19,2 em 2015.

O Sudeste, com 44,4 milhões de veículos, concentrou, em 2015, quase metade de toda a frota brasileira, seguido das regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.

 

A VISÃO DO GOVERNANTE

Campinas recebe troféu por ações para a queda de mortes no trânsito

O prefeito Jonas Donizette recebeu troféu de reconhecimento por ações desenvolvidas na busca de um trânsito mais humano e seguro no município. Campinas vem reduzindo, seguidamente, as mortes no trânsito urbano, registrando três anos consecutivos de queda.

Em 2013 foram registradas 101 mortes no trânsito urbano campineiro. Em 2014, 96 óbitos. Em 2015 foram 88 mortes, e em 2016, o total foi de 74 óbitos. Os resultados foram obtidos com um conjunto de medidas, incluindo conscientização, fiscalização e amplo emprego da engenharia de tráfego.

A homenagem ao prefeito campineiro foi feita nesta terça-feira, 19 de setembro, durante evento em comemoração aos 20 anos do Código do Trânsito Brasileiro (CTB), realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília. Como presidente da FNP – Frente Nacional de Prefeitos, o prefeito de Campinas fez a abertura do encontro.

Jonas Donizette destacou as ações de conscientização realizadas no município durante o Maio Amarelo, assim como o trabalho educativo feito nas escolas, intitulado “Educando as crianças para serem os motoristas de amanhã”. O prefeito de Campinas enfatizou a alta taxa de motorização de Campinas, com 900 mil veículos, “uma das maiores do País”, e a necessidade de uma convivência pacífica entre veículos e pedestres.

Ênfase no pedestre

Falando no evento, Jonas revelou que Campinas prepara uma grande campanha de mobilidade urbana, com ênfase para o pedestre. “Na faixa de pedestre, os carros terão que parar para darem preferência às pessoas. Vamos contar com a ajuda de todos, para que Campinas seja uma cidade modelo para o Brasil no respeito ao trânsito,”.

O secretário de Transportes e presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), Carlos José Barreiro, acompanhou o prefeito Jonas no evento em Brasília. Durante painel sobre “Desafios e Perspectivas”, representando o prefeito, Barreiro destacou as ações realizadas em Campinas para a redução nos índices de acidentalidade.

“Estamos usando pesada engenharia de tráfego para resolver gargalos no trânsito, redução da velocidade máxima em algumas vias, privilégio ao transporte público, ações educativas e fiscalização contínua, como o videomonitoramento que está em fase de testes. Tudo com um único objetivo: a preservação da vida”, pontuou.

Acidentalidade

Em 2013 foram registradas 101 mortes no trânsito urbano campineiro. Em 2014, 96 óbitos, representando queda de 4,95%. Em 2015 foram 88 mortes, representando queda de 8,33% em relação a 2014; e de 12,87% em relação a 2013.

O último Balanço de Acidentalidade divulgado pela Emdec em maio de 2017 aponta que no trânsito campineiro ocorreram 74 mortes em 2016. Recuo de 15,90% em relação a 2015; 22,92% em relação a 2014; e de 26,73% em relação a 2013.

O índice de Campinas, de 6,3 mortes no trânsito urbano para cada grupo de 100 mil habitantes, também é muito inferior ao registrado pelo Brasil, que é de 23,4. Os dados de acidentalidade no mundo são da World Health Organization 2015. (Texto oficial)

 

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