Campinas, 12 de Dezembro de 2017
RUAS DE CAMPINAS NO MAPA DA DITADURA
01/12/2017
Notícia publicada na edição n.115 do Jornal Alto Taquaral
Aumentar fonte Diminuir fonte
CAMPINAS EST NO MAPA - Nas rua do Brasil, a ditadura ainda vive

Na matria disponibilizada pela Agncia Pblica de Reportagem e Jornalismo Investigativo em https://apublica.org/assunto/ditadura/ possvel acessar atravs de mapas as ruas, no Brasil, com nomes de ditadores e em Campinas esto visveis a Avenida Presidente Costa e Silva com o personagem descrito assim: “Marechal de Exrcito. Foi presidente de 1967 a 1969. Editou o Ato Institucional Nmero 5, base legal da represso contra opositores, em 1968. Em seu governo, foi criada a Operao Bandeirante, espcie de brao inicial dos DOI-CODI, que usava tortura como mtodo de investigao e represso. Nomes como Srgio Fleury e Carlos Brilhante Ustra, considerados culpados de violaes de Direitos Humanos pela Comisso Nacional da Verdade, estiveram entre os comandantes da institutio”.

Curiosamente a avenida fica na Vila Costa e Silva, um bairro na Regio Leste de Campinas, tendo ao norte o Jardim Santa Genebra, a nordeste o Shopping Parque Dom Pedro, ao sul a Vila Miguel Vicente Cury, a leste o Alto do Taquaral.

Campinas homenageou tambm o presidente Castelo Branco com nome na Vila Castelo Branco, bairro da Regio Noroeste de Campinas, tendo ao norte o Jardim Garcia, ao sul o Jardim Londres, a leste fica o Jardim Pauliceia e a oeste est a Vila Padre Manuel da Nbrega. A sudoeste passa a Avenida John Boyd Dunlop.

OUTROS HOMENAGEADOS

A Agncia Pblica destaca ainda a Rua Jos Rodrigues como homenagem ao soldado da Polcia Militar do estado de Minas Gerais. Fez parte da equipe policial que reprimiu a manifestao de trabalhadores da Usiminas, em Ipatinga (MG), em 1963. Atirou contra uma multido de cerca de 5 mil pessoas.

A Rua Antnio Ferreira Marques que ocupou diversos cargos de chefia durante o Regime Militar. Foi Chefe de Estado-Maior do II Exrcito entre 1974 e 1976, Comandante da Primeira Regio Militar de 1978 a 1980, Comandante do III Exrcito entre 1980 e 1981, e Chefe do Estado-Maior do Exrcito em 1981 e 1982. De acordo com a Comisso Nacional da Verdade, pertencia cadeia de comando responsvel por crimes contra os direitos humanos.

HOMENAGENS PROIBIDAS

O vereador Augusto Petta teve projeto transformado em na Lei 14.675 de 9 de setembro de 2013 dispondo sobre acrscimo de inciso Lei 13.543/2009 proibindo que vias, prprios e logradouros pblicos sejam homenageados com nomes de pessoas que cometeram crimes de lesa humanidade ou violaes de direitos humanos.

A Cmara Municipal aprovou e o Prefeito do Municpio de Campinas, sancionou e promulgou a seguinte lei:

Art. 1 - O art. 2 da Lei n 13.543, de 23 de maro de 2009, fica acrescido do seguinte

inciso:

“IV - Que a pessoa homenageada no tenha cometido, financiado ou comprovadamente apoiado crimes de lesa humanidade ou violaes de direitos humanos.”

Art. 2 -

Esta Lei entra em vigor na data de sua publicao, revogadas as disposies em contrrio.

NOMES DE VILAS E RUAS

Sobre as Vilas Costa e Silva e Castelo Branco e ruas e avenidas j denominadas em Campinas o vereador explica que muito difcil conseguir alterar a realidade pois ainda que algum legislador tenha interesse na mudana, muitos moradores se colocam contrrio. “Eles alegam que o nome do bairro e das ruas provocaria alteraes que poderiam provocar complicaes no cdigo postal e coisas do tipo. Desta forma acaba ficando como est, apesar de ferir o texto da nova Lei”.

Pelo Brasil afora

Uma rua de menos de 200 metros no centro de So Paulo leva o nome de Vladimir Herzog. Ela homenageia o jornalista que foi torturado e morto pela ditadura militar – que governou o pas de 1964 at 1985 – e se constitui em uma pequena exceo: a maioria das ruas que levam os nomes de personagens do perodo homenageia o lado dos ditadores e seus colaboradores.

o caso da Avenida Presidente Castelo Branco, parte do complexo de vias que forma a Marginal Tiet, a menos de 500 metros de distncia da rua Vladimir Herzog. Ela foi batizada em referncia ao general que tomou o poder no Golpe de 1964 – iniciando o processo autoritrio que culminaria no assassinato de Vladimir Herzog e de pelo menos mais 433 pessoas, muitas das quais seguem desaparecidas at hoje, sem que seus corpos tenham sido encontrados.

Em todo o territrio do Brasil, so muitas ruas nomeadas em homenagem a personagens sombrios de nossa histria – incluindo aqueles que esto entre os 377 apontados como responsveis por torturas e mortes pela Comisso Nacional da Verdade (CNV), um comit que investigou os crimes do Estado naquele perodo.

CAMPINEIRO NA HISTRIA

Um dos momentos mais dramticos da poltica brasileira nos ltimos anos, o impeachment de Dilma Rousseff (PT), foi deflagrado na Cmara dos Deputados. Jair Bolsonaro, campineiro, ex-capito do Exrcito e figura proeminente da extrema-direita, estava entre os deputados que votaram contra Dilma – e ele fez isso de maneira controversa.

“Perderam em 1964 e perderam novamente em 2016”, disse Bolsonaro comparando o golpe militar ao impeachment. “Pela memria do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o terror de Dilma Rousseff […] eu voto sim [ao impeachment]”.

Bolsonaro homenageava o comandante do DOI-CODI de So Paulo, a cmara de tortura e morte que operava contra os inimigos do regime entre 1970 e 1974. Ustra, que h dois anos morreu livre e, segundo ele, sem arrependimentos, considerado um dos agentes mais violentos das foras de represso da ditadura.

Suas vtimas descreveram diferentes mtodos de tormento, como choques eltricos e a insero de ratos vivos na vagina de prisioneiras. Em alguns dos casos mais brutais, as sesses de tortura foram testemunhadas pelos filhos e cnjuges dos dissidentes. A prpria Dilma passou meses detida em prises do DOI-CODI nos anos 70 por participar de movimentos de resistncia armada.

  Última edição  
  Edição 115 - 25/11/2017 - Clique para ler  
2017 - Jornal Alto Taquaral - CG Propaganda